Apoio à Primeira Liga, mas que não pare por aí

O futebol brasileiro esperava há tempos que os seus principais clubes saíssem da inércia, se reunissem e organizassem um campeonato livre da desordem da CBF e de suas federações. 

O momento de crise no comando da CBF é propício, e nesse sentido a articulação dos clubes é mais do que bem-vinda, fundamental para que o futebol brasileiro evolua.

Porém não se pode ignorar que a criação de mais um campeonato no já turbulento calendário brasileiro gera problemas, sobretudo aos clubes menores, dependentes, quase que exclusivamente, dos falidos campeonatos estaduais. 

Já dissemos incontáveis vezes que os estaduais no formato atual não resolvem os problemas de ninguém, são apenas uma sobrevida dolorosa aos clubes do interior, que nesse modelo atual vão fechando aos poucos as suas portas. A esses clubes, é necessário criar competições que ofereçam estabilidade e previsibilidade de datas ao longo da maior parte do ano.

A conclusão:

Criar a Liga Sul-Minas-Rio apenas para romper com a federações estaduais,  arrecadar mais por meio da venda dos direitos de transmissão de jogos para a TV e competir com os desinteressantes campeonatos estaduais é sacramentar de uma vez o fim dos clubes do interior nesses estados. 

A empreitada da criação da Liga só vale se for o embrião de algo maior, de uma Liga Nacional que seja capaz de reorientar o futuro do esporte mais popular do país. Uma Liga que possa a médio prazo desenvolver um campeonato de ponta para os clubes de elite e, ao mesmo tempo, estabelecer novos parâmetros às competições dos clubes do interior.